Video: Um Pai

Adotada e soube disso aos 12 anos

Lilia Monteiro

Tenho 56 anos e fui adotada com sete dias de vida. Durante anos eu tive preconceito comigo mesma, pois não gostava de revelar que era uma filha adotiva e que não tinha sido gerada pelas pessoas que me davam carinho, afeto, educação e tudo o mais. Para mim, principalmente no início da minha adolescência, revelar o ato era motivo de vergonha.Até meus 12 ou 13 anos, de fato, eu não sabia que era uma filha adotada. E foi nesta época, em uma discussão com meu pai, que me foi revelado o “segredo”. E fui pega de surpresa. Não conseguia acreditar, entender que meu idolatrado pai havia mentido para mim. A revelação tardiamente foi muito dolorida. Posso dizer que foram momentos difíceis na minha vida, pois eu amava demais aquelas pessoas e não entendia o porquê tinham omitido esta informação de mim. Para mim foi uma novidade, pois não se falava em adoção como se fala hoje. Por mais que tentassem me explicar, eu não conseguia entender e senti muita vergonha. Tanta que por um bom tempo não conseguia falar com meu pai, o que nos trouxe muita tristeza.Durante anos, eu carreguei o estigma de ser filha adotada e por isso, eu me sentia menos. Durante anos, eu senti vergonha. Se alguém falasse da minha condição de “filha de criação”, pois era assim que eram chamados os filhos adotivos, eu entrava em pânico.Casei, tive meus filhos, mas ainda assim eu sentia vergonha de falar do assunto. Meu paizinho nos deixou cedo, e só conheceu meu primeiro filho, mas me lembro do orgulho dele com o neto. Minha mãe conviveu com os três netos e tinha um amor incondicional por eles, me fez perceber o quanto o preconceito comigo mesma era equivocado. Ainda assim, demorou para que eu falasse abertamente sobre ser uma filha, muita amada sim, mas adotada. Criei meus filhos, e quando o mais novo tinha 8 anos, eu fui para o banco da universidade cursar Serviço Social. Me formei e sou uma apaixonada pelo meu trabalho. Fui me livrando dos meus preconceitos e hoje, trabalhando com adoção, tenho coragem de falar abertamente que fui gerada pelo encontro de almas. Hoje, quando ministro cursos de preparação para adoção, falo sobre a importância da revelação.Tudo que sou hoje, devo aos meus pais. E me sinto realizada por trabalhar nesta área, lutando para encontrar uma família para cada criança e adolescente.Hoje estou aqui, escrevendo a minha história, mesmo que sucintamente, por acreditar que nada é por acaso e sinto orgulho de ser fruto de um “encontro de almas”.

 

Fonte: www.portaldaadocao.com.br

ENAPA MAIO/2013 – Depoimentos

Acabamos de chegar do 18 ENAPA (Encontro Nacional de Apoio à Adoção) onde centenas de pessoas, e dezenas de Grupos de Apoio à Adoção de todo o Brasil se reuniram sob o tema “Adoção: Razão ou Coração.”Dez integrantes do Pontes de Amor participaram do evento que foi riquíssimo em conteúdo, em relacionamento, e colaborou para motivar-nos, capacitar-nos, mostrar novos caminhos, ampliar e fortalecer a rede. Inesquecível o depoimento e as palavras do Desembargador Antônio Carlos Malheiros: “Estar realmente comprometido com um objetivo, um ideal é compreender que às vezes teremos que abrir mão de pedaços de nós mesmos para que ele aconteça.” Existem dores que são de parto, que são para gerar muito mais que os nossos próprios filhos e a alegria de contemplar estes frutos gerados faz com que tudo valha a pena. Se fosse por uma criança apenas já valeria a pena. Sara Vargas – Presidente do Pontes de Amor – Grupo de Apoio à Adoção e Convivência Familiar e Comunitária.“O ENAPA para mim permitiu obter novos conhecimentos e a oportunidade de relacionar com pessoas. Não tenho dúvidas de que esse projeto está no coração de Deus, pois estão cuidando de vidas, e é isto que Deus quer e espera de cada ser humano. Pude ver a seriedade, compromisso e perseverança em todos os grupos envolvidos, o verdadeiro amor e garra que eles tem perante todos os processos com o trabalho de adoção.” Elizete dos Anjos – Pedagoga“A participação no ENAPA/2013 me proporcionou ampliar a visão a respeito do projeto do qual todos nós fazemos parte, reforçando a certeza de que estamos no caminho certo, de que não estamos sozinhos e que há muito ainda a ser feito pela adoção em nosso país! Entre todas as sábias palavras que pude absorver nesse maravilhoso evento, estas ficaram registradas em meu coração: “Quando se planta amor, a colheita é inevitável”.” Aline Maia Santos – Assessora Jurídica do Pontes de Amor, Professora de Direito, Membro do Conselho da Criança e do Adolescente da OAB Uberlândia.“Para mim foi um privilégio poder ter participado do ENAPA, valeu muito a pena mesmo. Um tempo de aprendizagem, de conhecer pessoas novas lutando pela mesma causa, saber que não estamos sozinhos nesta jornada. Ouvir pessoas tão importantes, que ao mesmo tempo são tão simples, falando não apenas de teorias, mas de experiências de vidas, isso não tem preço que pague! Esperança, Necessidade, Alegria, Propósito, Amor.” Sheila Quiçula – Professora, Tesoureira do Pontes de Amor“Ter ido a Jundiaí para participar do Enapa foi muito bom pois pudemos estreitar ainda mais o nosso relacionamento enquanto participantes do Pontes de Amor, conhecer gente nova, que também tem os mesmos propósitos e objetivos. Fazer novos amigos, ouvir palestrantes capacitados, envolvidos e comprometidos com a promoção, o bem estar e desenvolvimento de crianças e adolescentes foi gratificante e agregou muito conhecimento. Um tempo precioso de reflexão, aprendizado e novas vivências.” Cida Modesto – Fotógrafa do Pontes de Amor“ENAPA para mim foi renovo, consolidação de amizades e novas amizades, e muita, muita alegria de ver quantas pessoas estão envolvidas na causa da adoção, quantas pessoas vivem a adoção em suas vidas e lutam para que muitas crianças vivam com dignidade em família.” Cláudia Lassi – Vice presidente do Pontes de Amor“Fiquei muito feliz em ver o espaço e respeito que o Pontes de Amor já conquistou, oportunidade em que pudemos perceber pessoas de tão longe e até mesmo de Grupos de Apoio à Adoção com muitos anos de existência nos relatando que tem acompanhado nosso trabalho. Fomos muito bem recebidos pela ex presidente da Angaad Bárbara, que inclusive, honrou com a vida da nossa presidente – Sara Vargas – perante todos os participantes. O que ficou muito marcado em mim foi a frase do ilustre palestrante Luiz Schettini, que nos ensinou que “não podemos cuidar do outro se não cuidarmos de nós mesmos”. Marlla Rocha, Advogada, Consultora Jurídica do Pontes de Amor, Membro do Conselho da Criança e do Adolescente da OAB – Uberlândia.“Estar no ENAPA foi muito intenso, muitos olhares diferentes para o tema da adoção. Voltei com novos amigos. Esse tema entusiasmante e extremamente relevante para a nossa sociedade e que tem um cuidado muito especial de Deus. Me sinto muito expandido, acrescido e motivado a continuar, sabendo que essa bandeira é minha e de minha casa a muitos anos, e que vale muito a pena continuar. Saber que temos muitos companheiros e agora novos amigos na causa é reconfortante. Sigamos a frente, dia a dia.” Rodrigo Pereira, Fundador do Pontes de Amor.